Esta pesquisa orientou-se no sentido de investigar como crianças da 4ª série do Ensino Fundamental de uma instituição pública, os seus professores e a equipe técnicoadministrativa concebem, promovem e vivenciam a participação (ou protagonismo) infantil no contexto escolar. No caso das crianças, a questão foi investigada através da análise de uma seqüência de atividades planejadas para levá-las a co-construir procedimentos educativos-culturais para a promoção da paz na escola, coerentes com a construção de uma cultura de paz e orientadas à transformação social. Para tanto, foi realizada uma revisão da literatura, sobre a construção histórico-cultural da infância, os últimos estudos acerca do protagonismo infantil, promoção da paz e dos elementos conceituais centrais da abordagem sociocultural construtivista. A estratégia metodológica se baseou na realização de oito sessões semi-estruturadas, em ambiente escolar, com 16 sujeitos crianças e 11 sujeitos adultos, alunos e profissionais da escola, respectivamente. Os procedimentos da pesquisa foram realizados com o objetivo de possibilitar a mais livre expressão de crianças e adultos sobre o protagonismo infantil, seus pontos de vista, valores, desilusões e conquistas. As atividades procuram possibilitar o exercício desse protagonismo por parte das crianças durante o processo de pesquisa no diagnóstico dos seus problemas mais imediatos em relação à violência e ao que poderiam propor, negociar e executar, no processo de solução dessas questões. A tarefa de elaborar uma campanha para a promoção da paz na escola consistiu em oportunidade para verificar a emergência de concepções de paz e de infância por parte das crianças. Foram, também, utilizados, ao longo do trabalho empírico, procedimentos como a elaboração de um trabalho fotográfico pelas crianças e a realização de entrevistas com sujeitos adultos e crianças. A análise dos dados construídos se deu no sentido de avançar na compreensão dos processos de construção coletiva de espaços de expressão infantil e da influência de concepções de infância e de paz na internalização de orientações para crenças e valores que favoreçam o fortalecimento da existência de um papel ativo e protagônico por parte das crianças para a construção de uma cultura de paz. A discussão versa sobre as influências que as concepções de infância afirmativas da capacidade infantil podem operar no ambiente escolar e sobre os aspectos teóricos da dissociação entre o desejo de aplicar os princípios pedagógicos coerentes com uma visão sistêmica do desenvolvimento humano e a prática efetivamente conduzida nas escolas. Conclui-se sobre os aspectos referentes às concepções de infância e os seus desdobramentos na regulação das culturas coletiva escolar e pessoais de adultos e crianças, destacando-se a importância da existência de um espaço de expressão infantil, formalmente estabelecido pela escola para a capacitação das crianças na proposição, negociação, execução e gestão de suas propostas.

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